Os debates atuais sobre a política pública relacionada aos jovens e à internet frequentemente são dominados por vozes que clamam por banimentos. No entanto, essas opiniões raramente refletem a perspectiva dos próprios adolescentes.
Um estudo encomendado pelo Google, conduzido por especialistas em juventude da Livity, destaca as opiniões de mais de 7.000 jovens da Europa sobre o que realmente os ajuda a aprender, se conectar e manter o bem-estar em ambientes online.
A mensagem central é clara, porém desafiadora: os adolescentes veem a tecnologia como uma força positiva, desde que seja projetada com foco nas pessoas. Eles desejam ferramentas acessíveis e capacitadoras que adotem uma abordagem “humana” e não funcionalidades que substituam as interações humanas ou causem danos.
Além disso, os jovens querem participar do desenvolvimento dessas ferramentas e não ser excluídos dos espaços online. Como afirmam no relatório, os adolescentes não são apenas usuários, mas também os futuros arquitetos da internet. Essa ideia ressoa profundamente, pois a segurança online é uma escolha de design e uma responsabilidade compartilhada.
Quanto à inteligência artificial (IA), o relatório enfatiza que a IA já faz parte da aprendizagem dos jovens, e o foco deve ser na orientação, em vez de na proibição. A maioria dos adolescentes que utilizam IA a utilizam semanalmente para tarefas escolares ou criativas, afirmando que a tecnologia torna o aprendizado mais envolvente e ajuda a compreender temas difíceis.
O que os jovens realmente pedem é a implementação de diretrizes claras e apropriadas para a idade, que definam o que é aceitável e o que não é, além de como citar e verificar informações. Essas solicitações são refletidas nas recomendações do relatório, que incluem a introdução de alfabetização em IA e mídia nos currículos escolares e a criação de experiências adequadas à idade.
Os vídeos também são uma ferramenta crucial para os adolescentes, com 84% afirmando que assistem a vídeos educacionais regularmente. Eles consideram essas recomendações personalizadas úteis para encontrar conteúdos de interesse, especialmente quando combinadas com buscas ativas e compartilhamentos de amigos.
Os jovens são conscientes dos riscos e se preocupam com a desinformação. Eles buscam ajuda para avaliar conteúdos gerados por IA e desejam que as configurações de privacidade sejam fáceis de usar. A partir da perspectiva da Save the Children, as recomendações do relatório alinham-se a uma abordagem baseada em direitos, onde proteção e participação andam juntas.
Em vez de impor proibições, devemos nos concentrar em tornar os ambientes digitais mais seguros e elevar o nível de alfabetização digital. Três ações práticas podem ser implementadas neste ano letivo:
- Exigir controles de segurança e privacidade mais claros e automáticos para jovens em diversas plataformas.
- Integrar a alfabetização em IA/mídia nos currículos escolares.
- Apoiar os pais como a primeira linha de apoio, com programas nacionais que desmistifiquem ferramentas e incentivem a busca de ajuda.
Ao ouvir os jovens, o objetivo não é restringir o acesso à internet, mas sim melhorá-la.



